Por que você deve fazer intercâmbio, um pouco sobre minha história!

//Por que você deve fazer intercâmbio, um pouco sobre minha história!

Hoje gostaria de contar um pouquinho sobre minha história para que de alguma forma ela possa inspirar seus estudos, seus projetos e, quem sabe, te convencer que acreditar no seu potencial é um excelente investimento. Vou falar um pouco sobre uma das melhores decisões que tomei na minha vida e do meu início em Londres, como eu passei de lavador de prato para chefe de sala, e depois de chefe salada para garçom no Institution of Civil Engineers (ICE) – o melhor serviço da agência de trabalho. Como essa experiência mudou a minha vida e porque ela pode mudar a sua. No fim, eu termino falando de como eu aprendi inglês pela Edgware Academy e sobre o livro que eu estou lendo agora MINDSET (que peguei na lista de melhores livros por Bill Gates).

Para começar, vai uma foto de uma frase que inspirou esse e-mail:


“Eu não divido o mundo em fraco ou forte, entre o sucesso e o fracasso… Eu divido o mundo entre aprendizes e não aprendizes”. Benjamin Barber.

Com essa introdução feita, vamos para a wonderful Londres em 2008. Fui para Inglaterra para estudar inglês e conhecer new cultures. Pensei que iria me virar bem. Para minha surpresa, no primeiro dia, fui ao supermercado e não dei conta de pedir nem uma água, pois até o water(uoRER), que eu tinha aprendido, não funcionava. Em Londres usava-se water(uoTA). Como já contei antes, eu estudei inglês em boas escolas na minha juventude, mas a conversação naquela época era uma prática rara.


Lorena and I in London. 

As aulas começaram já na primeira semana. Fiquei superanimado com tudo e queria o quanto antes trabalhar para juntar dinheiro, ter contato com the British people e viajar “o sonho do jovem aventureiro”. Eu fui com dinheiro para pagar minhas despesas por 3 meses, mas estava realmente disposto a me jogar e não gastar esse dinheiro. No início, meu inglês estava muito lento e fraco, mas mesmo assim consegui meu primeiro emprego já na primeira semana, trabalhar na festa do famoso CRISTIANO RONALDO, fazendo o que?? Lavando milhares de pratos. Lá fui eu. Nunca lavei tantos pratos de uma só vez, só a máquina de lavar tinha uns 7 metros, não estou brincado, era mais ou menos assim:

Com 2 meses, eu já consegui alguns trabalhos esporádicos de garçom e eu comecei a vislumbrar a ideia de deixar para trás os trabalhos mais pesados. O trabalho de garçom, além de mais leve, muitas vezes te colocava em contato com o cliente e te obrigava a se comunicar em inglês, porém, como eram esporádicos, você dependia muito da agência de trabalho e tinha que agradá-los. Na maioria das vezes, eles te ligavam de última hora, às 4:30 da manhã para fazer café da manhã (no seu dia de descanso), e muitas das vezes na hora da aula. Como precisávamos de dinheiro, muitas das vezes nós éramos obrigados a aceitar essas ofertas( não aceitá-las era o mesmo que gerar um conflito com seu manager). Além disso, no backstage, você conversava com muitos brasileiros e latinos.

Dessa forma, comecei a reparar em um padrão que estava acontecendo, muito jovens largavam as escolas para trabalhar e, como não estudavam, eles tinham um weak inglês, somente com o necessário para desenvolverem a atividade laboral. As sentenças ficavam incompletas, os verbos mal conjugados e etc. É claro que tinha um ou outro que desenvolviam bastante o inglês, mas esse não era o padrão. Um dia, conversei com um colega sobre isso, a instabilidade financeira desses trabalhos de garçom e a dificuldade em conciliar escola com trabalho. Esse colega, que era chefe de cozinha, me fez uma oferta de trabalhar de kitchen porter ( ajudante de cozinha – ou seja, lavador de pratos) e falou da possibilidade de ascensão para chefe de cozinha. Será que eu aceitei esse trabalho?

Sim, aceitei e essa foi uma das melhores escolhas que já fiz na minha vida, vou explicar o porquê. Primeiramente, eu pensei que estava retrocedendo e já tinha acostumado com o trabalho de garçom, que era mais leve. Porém, o trabalho na cozinha era com os horários fixos, poderia ir para a escola todos os dias, tinha estabilidade financeira e dividiria a cozinha com dois chefes albaneses, um de Kosovo, um da República Checa e dois kitchen porters, um da Polônia e outro das Ilhas Canárias. Todos os chefs eram especialistas em comidas mediterrâneas (comida italiana, grega, marroquina e etc.). Português e espanhol eram línguas pouco faladas no ambiente de trabalho. Olhe uma foto da cozinha:


Rene Vargas (Czech guy) and I – nessa época eu já tinha sido promovido para chefe salada. 


My restaurant – Med Kitchen ( Angel Station)

Aprendi:
1- Cortar 50 kg de batatas por dia em 20 min.
2- Cozinha italiana é a melhor do mundo.
3- Vinho branco combina com peixe e vinho tinto com carne.
4- Qualquer molho de salada deve ter um ácido, uma base e um sal.
5- Os cidadãos de Kosovo não se recuperaram da guerra.
6- Albânia não é um lugar legal para visitar, é um lugar muito violento.
7- Sempre há coisas novas para aprender.
8- Manjericão (basil) is “the herb”. 
9- Nem sempre o melhor caminho é o mais fácil.
10- No pain no gain

Assim, graças a essa escolha consegui ir para escola, conclui o pre-advanced e iniciei o último nível “advanced”, que era um dos principais objetivos da minha viagem.

Depois de 8 meses na cozinha e já na função de chefe salada, meu inglês já estava um pouco melhor decidi deixar a cozinha para trabalhar no ICE( Institute of Civil Engineering) como garçom. Como entrei na lista principal staff, eu tinha mais poder para escolher meus horários e lá fui eu trabalhar nessa organização internacional. Dê só uma olhadinha no meu local de trabalho:


Entrance  – o prédio ficava a 500 metros do Big Ben. 


Minha chefe uma vez me falou que um lustre desses valia milhões.


My workmates and I. 

Agora, para terminar, gostaria de compartilhar que um dos principais fatores que me manteve em Londres foi a fé (a crença). Apesar de todas as dificuldades, a maior nevasca dos últimos 18 anos (2009), distância dos familiares, crise financeira 2008, trabalho laboral, eu acreditei que eu podia aprender inglês (não foi fácil, pois a metodologia era a tradicional), que eu conseguiria um emprego melhor, e que tudo era questão de tentar, persistir, estar aberto para aprender. Dessa forma eu te faço uma pergunta: Como está seu MINDSET (suas crenças)? 

1- Você está tendo as crenças certas que te levarão ao seu objetivo ou você está sempre arrumando desculpas para não estudar, para não dedicar aquele tempo ao projeto? Você fala: não faço isso por causa da minha família ou faço isso por causa da minha família?
2- Você acredita que o mundo é feito somente de pessoas talentosas e se você não tem talento você então tem que desistir, ou você acredita que pode até existir algum talento mas a prática e o esforço são mais importantes?
3- Você acha que a vida é mais fácil para os outros do que para você, ou você acredita que todos têm desafios e dificuldades apesar da condição em que se encontram?
4- Você acha que as outras pessoas têm mais tempo do que você ou que todos têm as mesmas 24 horas? Então por que alguns dão conta de atingir objetivos e outros não? O que essas pessoas estão fazendo?
5- Você é um maratonista que quer preparar para uma maratona de 42km em 1 semana, perder 10kg em 5 dias, ou você entende que tem coisas que você tem que se preparar com antecendência e respeitar seus limites?

É com essa “agulhada” que eu termino esse e-mail e afirmo: acreditar que eu posso, que as coisas são possíveis, sempre me trouxe bons frutos.

Gostaria de desejar uma excelente e produtiva semana. Despeço com uma foto  da minha turma de inglês and my British teacher:


Não, eu não estava no Japão, é Londres mesmo. 

No pain, no gain,
Geraldo Tinôco

2019-01-14T11:01:07+00:00

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